
Dia desses eu tava indo encontrar meu amigo Louis para irmos a um aniversário e como estava meio arrumadinha me recusei a ir de ônibus. Liguei pro taxi, agendei e pronto. Claro que, só porque odeio atrasos, o cara chegou 10 minutos depois da hora combinada, mas enfim...
Sempre pego os taxistas mais faladores, então comecei aquele papo-cabeça com meu personal condutor: tempo, futebol, política... e viagem. Ele me contou que ia fazer um cruzeiro com a família, que pagou aos pouquinhos, que é o melhor jeito de viajar... À parte o trânsito, absurdo para um sábado à tarde, tava indo tudo bem. Até entrarmos na Paulista...
Por causa dos malditos enfeites natalinos, o povo congestiona a Paulista para tirar fotos e ver o coral cantando músicas irritantes sobre renas e neve (suuper brasileiro). Sem saber o que me esperava, comentei a decoração. Mal deu tempo de eu completar a frase e o moço abre a janela e começa: "Eu gosto muito do Natal, sabe, doutora. Acho lindo essas decorações, as músicas. Me lembra minha infância... (olhos ficam vermelhos). Doutora, eu perdi minha mãe faz 1 ano e meio (olhos ficam vermelhos, molhados e a voz falha). Desculpe, doutora, mas é muito duro, viu. Ainda não me acostumei. Eu era muito apegado à minha mãe..." (olhos, bochechas, pescoço molhados).
Eu não sabia o que falar, o que fazer e, nessa altura do campeonato, o que pensar. Fiquei olhando para o retrovisor enquanto ele me pedia desculpas, enxugava o rosto e continuava: "Doutora, é muito triste isso, viu. É muita dor..." (eu digo: 'imagino' e balanço a cabeça).
Tudo o que eu queria era chegar! E a Paulista parada, e eu desesperada, ligando para Louis e dizendo que ia atrasar. E o moço chorando...
Depois de uns 10 minutos ouvindo conselhos sobre beijar a mãe, abraçar a mãe e tal, cheguei ao destino. O moço fez questão de abrir a porta pra mim, me deu um abraço e, de novo, me pediu desculpas.
Eu disse 'imagina, qué isso, fique bem...' e fui, naquele clima 'animado' pro aniversário.
Tá vendo porque não gosto de Natal?
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